Comic Sans é a ovelha negra da tipografia. Ela foi desenhada por Vincent Connare para um uso específico mas acabou sendo incluída no catálogo de fontes da Microsoft que a fez disponível em qualquer computador. Desde então ela tem estado em todo lugar, de avisos improvisados a cardápios, postais, assinaturas de e-mail, até embalagem (biscoitos Oreo). É provavelmente a fonte mais amada para comunicação informal.
Por outro lado, designers geralmente a odeiam. Muito já foi publicado sobre esse ódio, existe até uma campanha para abolição da fonte. Eles defendem que ela vai contra as regras básicas de boa tipografia, especialmente porque não obedece nenhuma estrutura identificável.
Nós achamos muito interessante que designers se oponham tanto à sua audiência. Seria muita ingenuidade defender que a Comic Sans é uma fonte correta e bem usada, mas deve haver algo sobre ela que a faça tão amada por amadores. Nós queríamos ver se conseguíamos aprender o que é isso, mas ao mesmo tempo criar uma fonte mais neutra. Seria chamada Serious Sans.
Nosso objetivo era pesquisar a estranha estrutura da Comic Sans e segui-la o máximo possível. Usaríamos medidas e proporções semelhantes, também considerando o aspecto geral dos caracteres. A idéia era fazê-la menos esquisita, mais parecida com uma sem serifa moderna. Então tínhamos dois nortes a seguir: de um lado os livros tipográficos e suas regras sobre como desenhar uma fonte harmoniosa, e do outro Comic Sans como nossa estrutura com toda sua estranheza. Serious Sans é o resultado de nossa investigação nesse espaço entre essas duas direções, entre a experiência profissional e amadora.
Nós consideramos esse um projeto de pesquisa. Mais que o resultado, o processo de olhar para Comic Sans todos os dias e tentar achar sentido nisso acabou sendo uma recompensa em si mesmo. Serious Sans foi lançada na nossa exposição de graduação no Royal College of Art e desde então se tornou uma influência em nossa abordagem da tipografia.